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Gilbués: De Desertificação a Ecoturismo em Ascensão

A conceptual graphic illustrating the key ideas discussed in the text.
Manoel Carvalho/Tongyi-MAI/Z-Image-Turbo

Gilbués, município do estado do Piauí localizado na microrregião do Alto Médio Gurguéia, é conhecido por sua história rica e seu cenário de desafios ambientais que, ao mesmo tempo, impulsionam a criatividade local. Situado a 09º49'54" sul e 45º20'38" oeste, a cidade se ergue a 481 metros acima do nível do mar, em uma zona rebaixada cercada por chapadões.

A tradição oral de sua população – que ainda carrega o nome indígena “gilbués” – remonta ao período colonial, quando fazendas de gado foram estabelecidas na região. A emancipação municipal ocorreu no final do século XIX, com ajustes políticos nos anos 1930 e 1940. No auge do garimpo de diamantes (1947‑1958) Gilbués registrou até 18 mil habitantes, mas a exaustão das jazidas provocou um declínio econômico que deixou o solo vulnerável à erosão.

Apesar dos desafios de desertificação – uma das quatro principais zonas de degradação do país, junto com Cabrobó (PE), Seridó (RN) e Irauçuba (CE) – a cidade mantém solos férteis em regiões privilegiadas e abundância de água subterrânea. Essa combinação permite que o agronegócio continue como pilar econômico: arroz, mandioca, soja, feijão e milho são cultivados na maior parte das terras aráveis, enquanto a pecuária, principalmente de gado de corte, sustenta milhares de famílias.

Nos últimos anos, Gilbués tem se destacado por investir em um setor de serviços diversificado. Pequenas oficinas, restaurantes típicos que servem pratos à base de mandioca e feijão, além de empresas de logística rural, têm crescido, gerando emprego para mais da metade da população local. A prefeitura, liderada pelo prefeito Amilton Lustosa Figueredo Filho (PP) e vice‑prefeito Francisco Pereira de Sousa (PSDB), tem incentivado a adoção de tecnologias agrícolas sustentáveis e programas de capacitação para trabalhadores rurais.

O esporte desempenha papel importante na comunidade. Clubes amadores de futebol, basquete e atletismo organizam campeonatos regionais que reúnem dezenas de atletas e fortalecem o espírito de equipe entre os jovens gilbueenses. Em eventos tradicionais, como as celebrações da padroeira Divina Pastora em 15 de agosto, a cidade se transforma em palco de música, dança e confraternizações, refletindo um forte senso de identidade cultural.

No quesito turismo, o potencial está em alto estado. As “grotas” – vales profundos formados por erosões ao longo dos anos – são pontos de interesse para caminhadas ecológicas e fotografia. Os rios e voçorocas que surgem durante a estação chuvosa proporcionam experiências únicas de ecoturismo, enquanto as paisagens de chapadão oferecem oportunidades para observação da fauna local.

Embora a desertificação seja um desafio real, Gilbués demonstra resiliência e visão. A comunidade investe em práticas agrícolas sustentáveis, na promoção do turismo verde e no fortalecimento do comércio local. Com uma população majoritariamente parça e preta – 71,1% e 15,4%, respectivamente – e um compromisso crescente com o desenvolvimento econômico e social, a cidade se posiciona como modelo de superação e otimismo dentro da região nordeste brasileira.